segunda-feira, 8 de junho de 2009




VIDA E MORTE


Augusto dos Anjos


A morte é como um fato resultante
Das ações de um fenômeno vulgar,
Desorganização molecular,
Fim das forças do plasma agonizante.

Mas a vida a si mesma se garante
Na sua eternidade singular,
E em sua transcendência vai buscar
A luz do espaço, fúlgida e distante!

Vida e Morte – fenômenos divinos,
Na ascendência de todos os destinos,
Do portentoso amor de Deus oriundos...

Vida e Morte – Presente eterno da Ânsia,
Ou condição diversa da substância,
Que manifesta o espírito nos mundos.

Do livro "Parnaso de Além-Túmulo".
Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

2 comentários:

ARGUMENTO ESPÍRITA disse...

Interessante o jogo de antíteses que Augusto apresenta neste soneto. O próprio título nos apresenta essa dualidade. No primeiro quarteto que abre o poema ele faz um esboço da idéia de morte. No segundo, ele contrasta com a idéia do primeiro, esboçando o conceito de vida. Nos dois tercetos, por sua vez, ele não mais apresenta a vida e a morte como fenômenos contrários um ao outro, mas como condições diversas em que se apresenta o espírito nos mundos. Além da habilidade para estruturar a forma é admirável o pensamento filosófico!

ARGUMENTO ESPÍRITA disse...

O poema, portanto, ao final, desfaz essa suposta dualidade entre vida e morte, demonstrando serem, na verdade, processos de própria existência.