O testemunho vivo de Dom Helder Câmara

quarta-feira, 10 de junho de 2009


É recente ainda o lançamento de uma obra que vem causando surpresa no mercado editorial. Trata-se de um livro psicografado pelo médium Carlos Pereira, da Sociedade Espírita Ermance Dufaux, de Belo Horizonte.

"Novas Utopias" (2009), traz as reflexões pós morte de um padre frente à realidade da vida espiritual. Não bastasse a polêmica em si sobre a temática da imortalidade do ser e da relação entre os planos espiritual e físico, há na obra algo ainda mais instigante: sua autoria é atribuída a Dom Helder Câmara, arcebispo de Recife e Olinda, desencarnado em 28 de agosto de 1.999 em Recife, Pernambuco.

Enquanto encarnado, Dom Elder Câmara foi grande defensor dos direitos humanos, principalmente durante o regime militar brasileiro. Por sua expressiva presença contra a tirania dos fortes e a usura dos ricos, tornou-se uma das figuras mais notáveis do século XX. Sua atuação pela não-violência fez com que Dom Helder fosse indicado quatro vezes para o prêmio Nobel da Paz, além de receber diversos prêmios nacionais e internacionais.

Agora, através da mediunidade de Carlos Pereira, Dom Helder Câmara retoma sua missão.

O livro é recebido com espanto não só pela questão da autoria, mas também pela participação do monge beneditino, o teólogo Marcelo Barros, autor de 30 livros publicados, que foi secretário de Dom Helder Câmara para a relação ecumêmica com outras igrejas e religiões por mais de nove anos.

No prefácio, Marcelo Barros reconhece a autenticidade da comunicação pela linguagem e originalidade das idéias próprias de Helder Câmara. Também conta com as opiniões favoráveis do filósofo e teólogo Inácio Strieder e da historiadora e pesquisadora Jordana Gonçalves Leão, ambos ligados à Igreja Católica.


A obra é importante não só pelo significante teor de seus textos, mas porque traz à tona uma questão crucial: frente a veracidade dos fenômenos da comunicação entre vivos e mortos, da mediunidade e da continuidade da existência, como a Igreja lidará com o fato de grandiosa parcela da população dentro do Catolicismo passando a conhecer os ensinamentos pertencentes à natureza do espírito? Seria o momento da Igreja Católica admiti-los? Só o tempo poderá dizer.

Uma coisa, entretanto, podemos afirmar. Esta obra é mais uma prova que podemos (e devemos) naturalmente nos valer da razão para falar das coisas da fé, mostrando que é perfeitamente possível a conciliação entre ambas. Afinal, a lógica racional por meio da apresentação dos fatos só vem fortalecer a convicção na imortalidade dos homens e a fé em Deus.

Fábio Cezar

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