segunda-feira, 1 de junho de 2009
O Espiritismo
J. Herculano Pires
Acusação que matou Sócrates e preparou a cruz para o Cristo

O perigo dos estereótipos mentais – Discípulos que sustentam teses contraditadas pelos mestres – O flagrante desmentido dos fatos.

A facilidade com que certas pessoas tratam do Espiritismo, acusando-o de vários males, sem conhecerem a doutrina, é simplesmente de estarrecer. Ainda há pouco, numa reunião de comissão da edilidade paulistana, houve quem declarasse que o Espiritismo “tem causado muitos males sociais”. Felizmente, a acusação infundada não encontrou eco.

O ambiente já não era favorável, como tempos atrás, a afirmação dessa espécie, que pareceu temerária aos demais membros do organismo.

Quais são os males sociais causados pelo Espiritismo?

As obras de assistência à pobreza, de socorro aos desvalidos, de alfabetização gratuita, realizada por milhares de Centros Espíritas, em todo o país e em todo o mundo?

A abertura de hospitais, de albergues, de creches, de orfanatos, que suprem, por toda a parte, as deficiências do poder público? A difusão dos princípios evangélicos, no seio do povo?

A conversão ao espiritualismo e à crença em Deus, de milhares de pessoas que não aceitavam o ensino formal das religiões? Serão esses os males sociais do Espiritismo? Sabemos que não. A pessoa que formulou a temerária acusação à doutrina não pensou nessas coisas, nem teve tempo, ainda, de tomar conhecimento da extensão e do valor da obra social dos espíritas.

Por outro lado, a acusação não foi feita com segundas intenções ou com maldade. Ela derivou, naturalmente, de um falso conceito de Espiritismo, ou melhor, de um preconceito muito comum entre nós, mesmo entre pessoas que já deviam ter superado a fase dos estereótipos mentais.

É que dizem e, dizem, há muito tempo sem fundamento algum – mas dizem –, que o Espiritismo é um mal social e, de tanto ouvir dizer, algumas pessoas se convencem disso.

A maior e mais insistente acusação que se faz ao Espiritismo, nesse terreno, é a de causar loucuras e desequilíbrios nervosos.

Certos psiquiatras brasileiros concorreram, e concorrem, para a divulgação dessa inverdade, sustentando teses absurdas a respeito, e esquecidos dos pronunciamentos contrários e insuspeitos de seus próprios mestres estrangeiros. Mas os fatos aí estão, aos olhos de todos, para desmentirem essas teses.

O Espiritismo conquista centenas de novos adeptos, dia a dia, por todo o país e, longe de aumentar as psicoses e as neuroses, vem concorrendo poderosamente para diminuí-las. Quem se der ao trabalho de uma rápida investigação, entre os seus amigos e conhecidos, verá quantas pessoas encontraram o equilíbrio, a paz, o consolo e a segurança no Espiritismo.

Ao mesmo tempo, à acusação de que eram fazedores de loucos, os espíritas responderam curando loucos – milhares de loucos desenganados pelas clínicas psiquiátricas. Basta uma visita aos hospitais espíritas, que hoje constituem a maior rede de clínicas psiquiátricas em nosso Estado, para se ver que o Espiritismo oferece uma solução nova para o problema da loucura e das neuroses.

Além dessa acusação absurda ao Espiritismo, há quem vá mais longe, afirmando que a doutrina “perverte os costumes e o senso moral”.

Foi esta mesma acusação que levou Sócrates à cicuta e preparou para Jesus o caminho do Calvário.

As pessoas que repetem essas palavras merecem como resposta tão-somente a prece de Jesus pelos seus acusadores, no alto da cruz: “Perdoai lhes, Pai, que eles não sabem o que fazem”. Realmente, não sabem – nem o que dizem, nem o que fazem –, ao dizer tais coisas.

Porque o Espiritismo é uma doutrina cristã, baseada no Evangelho de Jesus, na crença em Deus e na sobrevivência da alma.

Uma doutrina que prega, como ensinava Kardec, a moral.

Fonte: J. Herculano Pires - O Mistério do Bem e do Mal

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